Com o inicio do ano somos, invadidos por um sentimento de novidade e vigor que nos faz pelo menos momentaneamente, acreditar que as coisas podem ser modificadas no ano que se inicia. 

Acreditando que neste novo ano terá-se força suficiente para enfrentar os obstáculos que causaram escorregões nos anos anteriores.

Como dizia Carlos Drumond de Andrade: “A divisão do tempo em doze meses foi uma ideia de gênio, pois desta forma parece que ganhamos fôlego novo com o inicio de um novo ciclo.” 

Os primeiros dias do ano são marcos por energia, confiança e esperança, de que as promessas e planos feitos, serão realizados gerando desta forma a sensação de estar preparando para a nova fase que se inicia.

As primeiras semanas são marcadas pela determinação pessoal que nem se acreditava ter tamanha é a força. 

A impressão é que as energias evocadas na noite de Reveillon nos permitirão força para guiar de maneira mais assertiva as questões do cotidiano. Mas infelizmente como você já dever ter percebido por experiências anteriores, este estado não se mostra sustentável até o atingir o objetivo como  esperado.

Com o passar dos dias quase que despercebidamente, começamos a nos dar conta que a roda da vida toma novamente o velho curso e mais uma vez,  repetindo o ciclo  que nos coloca frente a frente  de maneira nua e crua com as antigas adversidades pessoais.

A esta altura, quando o feitiço do ano novo se esvaiu por completo e, com ele, tudo voltou ao que era nos anos anteriores, somos forçados a olhar nossas limitações de maneira implacável.

A prometida perda de peso, por exemplo, não saiu do papel, embora as academias já tenham lucrado com sua inscrição; os aspectos desagradáveis de nosso ambiente de trabalho, ou ainda, algumas das relações interpessoais mais tóxicas que transitam há anos por nossa vida, lá permanecem e, finalmente, uma das missões mais conhecidas entre todos, de fato, novamente não ocorre e, mais uma vez, concluímos: é impossível gastar menos.

Despertados do sonho, permanecemos por mais um longo período do ano infelizes com a balança, inquietos com nossas relações interpessoais e, o pior, vivendo momentos que oscilam entre o desânimo e o descrédito pessoal.

Na tentativa de mudar este cenário e desarticular os mecanismos de autosabotagem é necessário mencionar o velho paradoxo de que “as pessoas desejam ardentemente mudar sua vida, mas dificilmente se propõem a se auto modificar”, o que torna praticamente impossível qualquer alteração mais significativa.

A maioria das pessoas  carregam consigo zonas de insatisfação que são muito antigas, por isso não é possível acreditar que essas mudanças aconteceriam de forma repentina.

Para realmente efetivar tal processo é preciso se dispor a realizar uma faxina na mente para re significar comportamentos que são causa de contrariedades que arrastamos por longos períodos da vida.

 Mas então o que fazer então?

Mais importante do que mudar os comportamentos, é mudar primeiramente  os pensamentos para depois, começar a alterar a realidade em nosso entorno.

Desta forma, monta-se a equação de sucesso: ser realista + ter foco claro + validar sua própria escolha = maiores serão as chances de sucesso.

Os sistemas psicológicos são protegidos por tendências poderosas que,  não colaboram para sair da  zona de conforto por mais difícil que sejam as situações vivenciadas, transformando assim, o processo de saída em uma batalha do individuo com ele próprio.

Portanto, mais meritório do que a mudança psicológica propriamente dita, é a manutenção e consolidação de nossas ações a atitudes. Pense nisto.

Refletindo sobre todos os aspectos apontados neste ensaio, você poderá  estabelecer suas resoluções de Ano Novo com maior profundidade e responsabilidade. Como consequência, continuar firme nas suas metas será muito mais consistente do que a simples força de vontade. Os obstáculos ou erros não inviabilizaram os seus objetivos. Serão apenas uma reorganização das coisas. Então, gradativamente, você verá suas tarefas serem cumpridas no tempo adequado à realidade.

Que o ano novo possa, verdadeiramente, habilitá-lo (a) para as novas ações.

Thais Martins Santos
Psicóloga da Clinlife
CRP 04 24 638

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